É incrível como ela todo dia estava cansada de lutar por algo que fosse inútil. Era assustadora a forma como ela tratava a si mesma. A vida não é feita de sonhos, é feita de sentimentos. Você pode tentar dizer que ama alguém, você pode abraçar essa pessoa todos os dias, você pode até viver apenas por ela, mas isso não significa nada. É muito mais digno você arrancar a última folha do seu caderno de química e dizer tudo para ele. O papel não pode enganar você, te dar esperanças, ou dizer que você está errado. Em um papel você pode dizer que talvez alguém seja a única pessoa que possa te ajudar, e dizer também coisas que não devem ser ditas. Só que a única coisa que não é garantida é que ele plante flores para você. O dia começa e acaba. Só é permitido gastar uma folha por dia. Faça suas escolhas sobre o que escrever, e passe a colocar suas letras na sua vida. Caso contrário, você será apenas mais um sonhador nesse mundo imaginário.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
sábado, 24 de julho de 2010
The Baloon
Estava passeando no calmo e suburbano parque da cidade enquanto o sol lembrava o mais quente dos verões. Pessoas com seus sorvetes, pessoas com seus filhos, pessoas com seus mais horríveis hábitos de uma vidinha inútil. Depois de mais ou menos uns quinze minutos, resolvi sentar em um banco qualquer. Havia um homem vendendo os mais variados balões, desde o balão que vinha com uma dentadura de vampiro ao balão de dinossauro. É incrível como eu pude ter a conclusão que há pessoas que são como os balões. Lindos e cheios de atrativos por fora, e vazios por dentro.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
É tudo uma questão de ponto de vista.
Há pessoas que a gente nunca esquece, outras que você faz o favor de excluir da vida. Por mais que você se sinta excluído, sem amigos, sem que ninguém possa te ajudar, sempre terá uma pessoa com a resposta certa para o momento certo, e uma para apontar o dedo na sua cara e te mostrar a realidade. Eu ainda estou pintando flores para você. Você pode até se iludir, chorar, desesperar, descabelar e gritar aos quatro ventos que todo esse seu sentimento bobo não passa de umas meras palavras. Só quando você sabe selecionar suas amizades e suas verdades, você encontra coragem para pedir desculpas. Vai doer. Dói. É necessário. Depois passa. Passou. Eu ri.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Rock and roll, don't you know baby ? We're all alone now, gimme me something to sing about.
E como sempre, a minha vida problemática tem que dar o ar da sua graça. Já passei por várias coisas, umas eu vou lembrar para sempre, outras eu fiz questão de apagar. Minha agulha move-se lentamente para você, como se fosse o norte. Só que a pior das coisas é quando vejo que nada mudou. Você continua a mesma pessoa, eu continuo a mesma pessoa. Já pensei em não falar com você nunca mais, mas isso me comove, e sinto uma necessidade imensa de falar contigo, mesmo que fosse indiretamente. A diferença é que eu tenho a certeza que toda essa besteira que eu criei, atingiu em cheio a mim, não você. Eu comecei a me irritar contigo por não ter nenhuma resposta, eu comecei a ficar completamente frustrado com a ideia de ter que excluir a hipótese de você ao meu lado. Enquanto tudo isso estava acontecendo, e eu surtando, eu tive a ajuda dos meus melhores amigos, aqueles que não tem a vergonha de apontar o dedo pra mim e bater na minha cara e dizer que eu estou errado. Como eu sou teimoso, não ouvi eles na primeira vez. Mas comecei a perceber que realmente, o orgulho era todo meu esse tempo todo, e isso foi um teste para mim. Aquelas duas pessoas, tão especiais, me fizeram chorar por ti pela última vez na minha vida, e tudo aquilo que um dia eu te disse, que ele nunca vai dizer, é melhor mesmo ser esquecido, e colocado naquela caixa que fica sob teu armário empoeirado. É melhor mesmo eu seguir ouvindo essas pessoas, você tentando ouvir suas histórias malucas e seus sonhos delirantes enquanto eu vou tentar aprender a viver com essa realidade. Mas pelo menos saberei que tudo fora esquecido, e você foi como a chuva pra mim. Passageira. E que para os outros, você não será nada além disso também. Uma mera sonhadora.
Fireflies.
I'd like to make myself believe
That planet earth turns slowly.
It's hard to say that I'd rather stay awake when I'm asleep,
Cause everything is never as it seems.
Eu gostaria de me fazer acreditar
Que o planeta Terra gira lentamente.
É difícil dizer que eu prefiro ficar acordado quando estou dormindo,
Porque tudo nunca é como parece ser.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
O conto dos três irmãos.
Era uma vez três irmãos que viajavam numa estrada deserta e tortuosa ao anoitecer. Depois de algum tempo, os irmãos chegaram a um rio fundo demais para passar a pé e perigoso demais para atravessar a nado. Os irmãos eram, porém, exímios em magia, e então simplesmente agitaram as suas varinhas e fizeram aparecer uma ponte sobre as águas traiçoeiras. Iam a meio da ponte quando viram o caminho bloqueado por um vulto encapuzado. E a Morte falou-lhes. Estava zangada por ter sido roubada em três novas vítimas, porque o normal era os viajantes se afogarem no rio. Mas a Morte era astuta. Fingiu felicitar os três irmãos pela sua magia, e disse que cada um ganharia um prêmio por ter sido inteligente o bastante para lhe escapar. Então, o irmão mais velho, que era um homem combativo, pediu uma varinha mais poderosa que todas as que existissem: uma varinha que vencesse sempre todos os duelos, uma varinha digna de um feiticeiro que derrotara a Morte! Então, a Morte atravessou a ponte, dirigiu-se a um velho sabugueiro na margem do rio, moldou uma varinha de um galho da árvore e entregou-a ao irmão mais velho. Depois, o segundo irmão, que era um homem arrogante, resolveu humilhar ainda mais a Morte e pediu o poder de restituir a vida aos que ela levara. Então a Morte apanhou uma pedra da margem do rio e entregou-a ao segundo irmão, dizendo-lhe que a pedra tinha o poder de ressuscitar os mortos. Depois, a Morte perguntou ao terceiro e mais jovem dos irmãos, o que queria. O irmão mais novo era o mais humilde e também o mais sensato dos irmãos, e não confiava na Morte. Pediu, então, algo que permitisse ele sair daquele lugar sem ser seguido pela Morte. E a Morte, de má vontade, entregou-lhe o seu próprio Manto da Invisibilidade. Depois a Morte afastou-se para um lado e deixou os três irmãos continuarem o seu caminho e foi o que eles fizeram, comentando, com espanto, a aventura que tinham vivido e admirando os presentes da Morte. No devido tempo, os irmãos se separaram, seguindo cada um o seu destino. O primeiro irmão viajou uma semana ou mais e, ao chegar a uma vila distante, procurou outro feiticeiro com quem tinha desavenças. Armado com a Varinha de Sabugueiro como arma, ele não poderia deixar de vencer o duelo que se seguiu. Deixando o inimigo morto estendido no chão, o irmão mais velho dirigiu-se a uma estalagem, onde se gabou, em alto e bom som, a poderosa varinha que arrancara à própria Morte, e que o tornava invencível. Na mesma noite, outro feiticeiro aproximou-se silenciosamente do irmão mais velho enquanto dormia na sua cama, embriagado pelo vinho. O ladrão levou a varinha e, para a cautela, cortou o pescoço ao irmão mais velho. Assim a Morte levou o irmão mais velho. Entretanto, o segundo irmão viajou para a sua casa, onde vivia sozinho. Aí, tomou a pedra que tinha o poder de ressuscitar os mortos e girou-a três vezes na mão. Para seu espanto e satisfação, a figura da rapariga em que tivera esperança de desposar, antes da sua morte precoce, surgiu instantaneamente diante dele. Contudo, ela estava triste e fria, separada dele como que por um véu. Embora tivesse retornado ao mundo dos mortais, o seu lugar não era ali, e ela sofria. Por fim, o segundo irmão, enlouquecido pela saudade, matou-se para poder verdadeiramente se unir a ela. E assim a Morte levou o segundo irmão. Embora a Morte procurasse o terceiro irmão durante muitos anos, jamais conseguiu encontrá-lo. Somente quando atingiu uma idade avançada é que o irmão mais novo tirou, finalmente, o Manto da Invisibilidade e o deu ao seu filho. E então acolheu a Morte como uma velha amiga e acompanhou-a de bom grado, e como iguais, partiram desta vida.
J.K.Rowling
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